
Em 2006, a respeitada (?) revista musical inglesa NME elegeu o primeiro disco do Stone Roses como O MELHOR DISCO DE TODOS OS TEMPOS. Noel Gallagher, (ex?) guitarrista do Oasis e figurinha conhecida dos dois (ou três, contando comigo) visitantes regulares do IR, já afirmou publicamente que considera o álbum “perfeito”. Minha opinião não vale nada no mundo do showbiz, mas não posso deixar de expressá-la aqui: The Stone Roses pode não ser o melhor disco de todos, mas é (pelo menos) o segundo melhor disco de estreia de uma banda na história do rock’n'roll. IMHO.
“Mas”, você pergunta, “quem são esses caras? Stone Roses WHO?”.

Formação clássica (1987-1995), da esquerda para a direita: Reni (bateria), Ian Brown (voz), Mani (baixo) e John Squire (guitarra)
A banda como “conhecemos” foi fundada por John Squire e Ian Brown, dois jovens lokis de droguis que se conheciam desde os tempos de colégio e já tinham tocado juntos pelas baladinhas de Manchester. Em 1983, Brown substituiu o vocalista da The Waterfront, banda de Squire à época, e o nome do grupo acabou mudando para The Stone Roses em pouco tempo.
No início, a banda era formada por Ian Brown nos vocais, John Squire e Andy Couzens nas guitarras, Peter Garner no baixo e Alan “Reni” Wren na bateria. Com essa formação, lançou os singles “So Young/Tell me” e “Sally Cinnamon”, que obtiveram considerável sucesso no meio indie britânico da época. Couzens saiu da banda no fim de 1986 e em agosto de 1987 foi a vez de Garner, substituído no baixo por Gary “Mani” Mounfield – que, de acordo com Brown, mudou a pegada da banda de um dia pro outro.
Em 1989, lançaram o sensacional disco de estreia The Stone Roses pela gravadora Silverstone. Misturando rock’n'roll tradicional com o pop dançante da música eletrônica, o álbum foi muito bem recebido por público e crítica. O quarteto conquistou uma legião de fãs com sua sonoridade inovadora e lançou moda na Inglaterra, encabeçando, ao lado de grupos de menor expressão como Happy Mondays e Charlatans UK, o movimento que ficou conhecido como Madchester.
O segundo disco sairia pela Geffen apenas em 1994 (CINCO anos após o primeiro), após uma longa batalha judicial com a antiga gravadora. Second Coming foi execrado pela maior parte da crítica e divide opiniões entre os fãs: tem gente que gosta, tem gente que odeia. Mas o mundo inteiro parece concordar numa coisa: é um álbum MUITO inferior ao primeiro. O Stone Roses passou a soar como uma banda completamente diferente, apresentando uma sonoridade muito mais pesada e sombria. Acho que é o que chamam por aí de “trair o movimento”.

O controverso Second Coming acabou sendo o último disco de inéditas do grupo. Reni deixou a banda em março de 1995. Foi seguido em abril de 1996 por John Squire, que descreveu sua saída como uma inevitável conclusão para o gradual distanciamento musical e social entre os membros da banda. Slash, ex-guitarrista poser do Guns N’Roses, ofereceu-se para assumir o posto de Squire, mas Ian Brown recusou a oferta.
O guitarrista prodígio foi substituído por Aziz Ibrahim (ex-Simply Red) por um tempo, mas Brown e Mani acabaram por dissolver a banda em outubro de 1996.
Embora tenham durado pouco tempo juntos, a importância dos Stone Roses para o rock britânico contemporâneo é enorme. A influência da banda se faz sentir na sonoridade, no comportamento e até no guarda-roupas dos principais grupos de rock subsequentes, desde o britpop (movimento encabeçado por bandas como Oasis, Blur e The Verve nos anos 90) até os dias de hoje. Descobri a banda há pouco tempo, e, embora ela já tenha encerrado suas atividades há anos, para mim será sempre INDISCUTIVELMENTE relevante.
Tá, mas o grupo acabou em 1996. O que os caras fizeram desde então? Por onde andam?

Ian Brown embarcou numa carreira solo de sucesso – que eu, pessoalmente, acho uma droga. Já lançou seis discos, sendo o último, My Way, de 2009. Da última vez que ouvi falar dele, o cara tinha sido preso (embora solto sob fiança) por ter agredido a mulher, a modelo mexicana Fabiola Quiróz.

John Squire fundou o grupo The Seahorses em 1996 com alguns desconhecidos, lançando um disco em 1997. O grupo se separou em 1999. O guitarrista lançou ainda dois discos solo, em 2002 (Time changes everything, eleito “um dos piores álbuns de todos os tempos” pela crítica) e 2004 (Marshall’s House).
Em 2007, resolveu abandonar a música para se dedicar integralmente à pintura. O que não é de todo ruim, pois convenhamos: como cantor, Squire é um ótimo artista plástico.
Mani entrou para o Primal Scream após o fim do Stone Roses e faz umas participações especiais aqui e ali. Atualmente, está envolvido num projeto chamado Freebass (basicamente, uma banda com três baixistas) junto com Andy Rourke (ex-SMITHS!!!) e Peter Hook (ex-Joy Division/New Order). A banda prometeu lançar disco, mas até agora nada.
Reni formou uma bandinha chamada The Rub em 1999, na qual cantava e tocava guitarra (Dave Grohl feelings?). O grupo durou pouco e não teve nenhuma relevância. Pouco se sabe sobre ele desde então.