AVISO

26/08/2011

Este blog está de férias por tempo indeterminado!

Panela velha é que faz comida boa

08/07/2011

Eu tenho uma amiga meio indie que sempre tenta fazer com que eu me sinta musicalmente careta e ultrapassado por não dar bola para bandas novas e moderninhas em geral. Mas quem precisa delas? As bandas BOAS ainda estão por aí lançando discos e fazendo shows.

O primeiro semestre de 2011 foi bastante razoável para sujeitos rústicos e antiquados feito eu, que preferem dedicar sua atenção aos grupos musicais “do seu tempo” e têm pelo indie contemporâneo o mesmo apreço que por, sei lá, uma pulga ou bicho de pé. Se você é da mesma turma mas deixou as “novidades” passarem despercebidas, fique sabendo que:

O R.E.M. lançou um discaço, “Collapse Into Now”. O álbum segue a tradição dos melhores da carreira da banda e traz uma competente coletânea de faixas variadas, que ora soam alegrinhas e empolgantes (“Discoverer”, “It Happened Today”), ora melancólicas e introspectivas (“Überlin”, “Oh My Heart”). Stipe, Mills & Buck contam aqui com participações especialíssimas de Eddie Vedder (do Pearl Jam), Patti Smith e de uma tal de Peaches — de quem eu nunca ouvi falar, mas que mandou muito bem num dueto com Michael Stipe na animadinha  “Alligator_Aviator_Autopilot_Antimatter”.

“Collapse Into Now” consegue ser, a um só tempo, leve e profundo, alegre e melancólico. É exatamente o tipo de disco que o fã espera do R.E.M., portanto não crie expectativas de encontrar algo original ou inovador. Mas quem se importa? Por mim, se for para continuar lançando material de altíssimo nível como este, o grupo pode seguir no “mais do mesmo” para sempre. Bastante relevante.


O Foo Fighters, por sua vez, lançou um disco que é, no mínimo, o segundo melhor de sua carreira. “Wasting Light” é um álbum nervoso: tem mais guitarras distorcidas que todos os outros trabalhos do FF juntos, e o quarentão Dave Grohl ainda consegue berrar feito um adolescente revoltado quando quer (mas também sabe fazer baladinhas pop grudentas quando dá vontade).

Apesar de porcarias como “White Limo” e “Back & Forth” serem uma vergonha para todos os envolvidos, pérolas como “Bridge Burning”, “Dear Rosemary” e “These Days” seguram o nível e contribuem para um álbum de rock bem gostoso e divertido, que poderia até ser considerado “memorável” para os padrões atuais. Bastante relevante.

Logo depois que a melhor banda do mundo (o Oasis, se você não sabe) acabou, Liam Gallagher reuniu o que sobrou do grupo após a saída de Noel Gallagher e fundou o Beady Eye. Os caras lançaram um disco no início do ano que me surpreendeu muito, não por ser ótimo ou memorável, mas por ser muito menos ruim do que eu esperava.

“Different Gear, Still Speeding” não traz nada de novo ou original: apenas rock n’ roll simples e direto que remete a um monte de bandas dos anos 60 e 70. Lembra um The Who aqui, um Beatles ali, o próprio Oasis acolá. Tem ares de coisa velha reciclada, mas até que dá pra ouvir sem problemas.

O disco tem umas músicas bem boas (“Millionaire”, “Kill for a dream”), algumas bem PÉSSIMAS (“Beatles and Stones”, Standing on the edge of the noise”), outras bem bobinhas e ingênuas, mas gostosas de ouvir (“For anyone”, “The morning son”). Tipo, podia ser melhor, mas também podia ser muito pior. Oscila entre o irrelevante e o relevante, com ligeira preponderância do segundo.

Teve o Strokes também, com “Angles”. A banda segue tentando fazer coisas diferentes, desta vez flertando um pouco demais com a new wave dos anos 80 pro meu gosto.

O disco foi amplamente malhado pela crítica dita especializada, e não sem razão: ele é meio chato, mesmo. Mas tem coisa boa aqui também, como “Under cover of darkness” (na minha opinião, a melhor música da carreira dos caras até agora) e outras três ou quatro boas canções, que são tipo ilhas em meio a um pequeno oceano de mediocridade. Sendo bonzinho, dá pra dizer que é quase relevante.

(The Strokes e Beady Eye vão se apresentar no Brasil no Planeta Terra, em 05 de novembro. Eu vou, claro. Se você não comprou seu ingresso ainda, azar o seu: já tá tudo esgotado)

R.I.P., Clarence Clemons

04/07/2011

Merda.

Em 18 de junho faleceu Clarence Clemons (1942-2011), saxofonista da E Street Band. O querido “Big Man” sofreu um derrame cheio de complicações e não resistiu.

Obrigado por tudo, negão. Eu e Bruçasso sentiremos sua falta. Você parte deixando saudades e ótimas memórias.

Como esta:

(Na boa, a única coisa ruim dessa música é que ela ACABA. CC deixa sua marca em 5:35)

A Guerra dos Tronos

11/06/2011

Eu tenho essa mania de comprar livros, mesmo sem ter tempo ou disposição para ler todos. Alguns estão acumulando poeira na estante há mais de um ano, outros foram abandonados pela metade e serão — ou não — retomados em algum momento. Não me julgue; afinal, o dinheiro é meu e eu gasto como quiser.

O fato é que, graças ao consumismo literário desenfreado, há sempre um monte de livros aguardando um pouco de atenção em minha fila de leitura. Para poder ler um pouco de tudo, variando gêneros e autores aqui e ali, procuro evitar ao máximo as séries e livros muito longos em geral — afinal, quem quer perder tempo lendo uma história de 3 volumes com 500 páginas cada se há tantos bons livros de 200 dando sopa por aí?

Por procurar seguir essa filosofia, demorei a criar coragem para me aventurar pelas “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin, um épico medieval previsto para durar 7 (sim, SETE) volumes. Ex-roteirista de cinema e TV, Martin abandonou seu antigo ofício pela literatura graças às constantes restrições orçamentárias impostas pelas produtoras — seus roteiros eram sempre considerados longos e/ou caros demais. Com “Crônicas…”, um misto de romance histórico e fantasia medieval inspirado na Guerra das Rosas, o autor mandou as limitações de tempo e dinheiro para a puta que pariu, criando uma história altamente épica, longa e repleta de personagens (são CENTENAS).

O primeiro capítulo da saga, “A Guerra dos Tronos”, impressiona o leitor logo de cara com uma história cheia de ação, suspense, intriga e traição. É difícil fazer uma síntese do livro, já que a quantidade de subtramas e personagens é tão grande que chega a ser absurda, mas, basicamente, trata-se de uma história sobre famílias. Famílias aliadas, famílias rivais, famílias nobres, famílias pobres, famílias reais, famílias abastadas, famílias sortudas, famílias injustiçadas. O livro trata dos conflitos, das ambições, das alianças, dos jogos de cobiça e poder travados por essas famílias, que protagonizam uma verdadeira “Guerra Fria” pelo trono dos Sete Reinos. Embora a narrativa acompanhe mais de perto os membros da família Stark, soberana das terras gélidas de Winterfell, eu não saberia dizer se existe algo como uma “família principal” na trama; todas elas têm sua importância e destaque, embora suas motivações e objetivos sejam bem distintos.

“A Guerra dos Tronos” é uma fantasia medieval em que o fantástico fica em segundo plano, já que a narrativa é sempre focada nos personagens e suas relações interpessoais. Não espere encontrar aqui algum tipo de conto de fadas Tolkeniano; trata-se de uma fantasia adulta (adulta do tipo que tem SEXO), realista, implacável. Não há mocinhos ou bandidos guerreando a guerra dos tronos, apenas seres humanos falíveis que lutam e defendem seus próprios interesses. Mesmo os personagens mais heróicos possuem falhas de caráter, e até os mais vilanescos são capazes de praticar atos de bondade para defender os seus.

Ah, e por falar em personagens… MELDELS, como são bons! O elenco de “Crônicas de Gelo e Fogo” é mais variado, denso e complexo que o de qualquer outra série do gênero, e o leitor acabará se afeiçoando a vários personagens pelos mais diversos motivos. Por exemplo, um mesmo sujeito (no caso, EU) poderá admirar Eddard Stark por sua dignidade e honradez, o anão Tyrion Lannister por seu humor sarcástico e espírito sagaz, e Daenerys Targaryen por sua coragem e determinação, mesmo sabendo que os três pertencem a famílias rivais e provavelmente se enfrentarão em algum momento.

Diferentemente do que costuma ocorrer em outros livros de fantasia, em “A Guerra dos Tronos” não há garantia de final feliz. Martin é totalmente implacável com seus personagens e não tem a menor pena de causar-lhes dor, humilhação, sofrimento e morte; além disso, a trama é tão imprevisível e cheia de reviravoltas que fica difícil fazer qualquer suposição sobre o que virá a seguir. É inevitável ter surpresas do tipo “cara, não acredito que isso está acontecendo!” durante a leitura, e isso é algo bem raro em livros do gênero.

Para completar o pacote, tem-se aqui uma história narrada de forma brilhante. O livro é dividido em vários capítulos curtos e cada um deles é focado em um personagem específico, o que torna a leitura do tijolão de quase 600 páginas muito mais ágil e agradável do que se poderia esperar. O leitor dificilmente fica cansado ou enjoado da história, já que há várias tramas paralelas e interdependentes em curso, todas elas bastante empolgantes e interessantes.

Acabei gostando d’ “A Guerra dos Tronos” muito mais do que eu esperava, e já dei um jeito de passar o próximo volume (“A Fúria dos Reis”) na frente do resto da fila de leitura. Altamente recomendado, INDISCUTIVELMENTE relevante.

A obra de Martin virou uma elogiada série da HBO. Só assisti o primeiro episódio e fiquei decepcionado com algumas atuações bem medíocres, mas tenho que reconhecer que se trata de uma produção grandiosa.


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